Archive for Novembro, 2006
do nuclear…
Hiroshima, dia 6 de Agosto de 1945 às 8:16,
66’000 pessoas morreram instantaneamente vaporizadas pela jocosamente apelidada “Little Boy”
69’000 feridos
Potência da “Little Boy” : 10 Kilotoneladas
Potência máxima ensaiada (USSR): 50’000 Kilotoneladas (Termonuclear)
A Rússia detém 16’000 ogivas nucleares e cerca de 40’000 de armas quimicas algumas delas já negociadas em mercado negro e localizadas em países como Kazaquistao e outros. Antes da queda da União Soviética e antes do acordo de redução dos stocks de armamento nuclear, detinha mais de 35’000 ogivas nucleares.
Os Estados Unidos por seu lado possuem mais de:
5400 ogivas nucleares em mísseis balísticos de mar e terra
1750 Ogivas em mísseis de cruzeiro em total prontidão a serem lançadas por bombardeiros B-2 e B-52.
1670 Ogivas tácticas
Mais de 10’000 ogivas espalhadas pelos estados unidos em Bunkers estratégicos em caso de necessidade de posteriores represálias ou re-ataques.
Represálias? Re-ataques? De quem? É suposto sobrar alguém ou alguma coisa após o primeiro premir de botão?
Muitos defendem que o melhor modo de garantir o respeito mutuo entre países e o diálogo entre civilizações é garantir que todos detêm armamento nuclear. Talvez seja. Até agora tem resultado. O desrespeito de um implica a aniquilicao de ambos por isso não há outra saída que não o entendimento, o contrário seria suicidio. Interessante é verificar que alguns ditadores do século 20 acabaram por se suicidar. A paz nuclearmente armada resultará até ao dia em que um maníaco assumir controlo de um primeiro botao e beliscar atomicamente um dos vizinhos num acesso de ódio suicidário do mesmo tipo que leva pessoas a pilotar avioes contra edificios.
Agora, também paises instáveis como a India e o Paquistao detêm armamento nuclear. Algo que deve descansar toda a gente pois após anos e anos de guerra e instabilidade entre ambos, a paz nuclear virá resolver todos os problemas… matemático como 2+2=5… Entretanto a coreia do norte vem a caminho enquanto os estados unidos se afundam na lama do Iraque e o presidente do Irão se dirige ao povo americano em carta aberta citando valores de liberdade enquanto enriquece urânio para o seu suposto plano de “producao de energia”…
Olhando para o período histórico da guerra fria todo este enquadramento actual do globo me soa a caos e me dá calafrios. Em vez de 2 grandes oponentes politicos como no caso da guerra-fria, temos uma mistura de fanatismo religioso, desorientacao politica e militar e todo este inicio de século me cheira a Deja-Vu com maior inclinacao para acabar em drama. O homem anda realmente em círculos com tendencia a piorar. Raça esperta esta a que pertenço… Se alguém premir O botão, no fim, não sobrará ninguém. Quem sabe o fim da humanidade seja um passo importante para o planeta e daqui a uns milhares de anos surja uma espécie que seja tao evoluída em relação a nós como o somos em relação a outras espécies extintas.
mais do mesmo…
Hoje acordei, por qualquer razão transcendental, feliz e contente da vida apesar de ter passado a noite a lutar com pesadelos. Esta quinta-feira vou a portugal e regresso Domingo. Talvez a minha felicidade venha daí. Estou entusiasmado com esta deslocação mas também não consigo deixar de ter alguns sentimentos opostos. Vou guiar 3 horas até ao aeroporto de Cologne sendo que tenho de sair de casa às 4h30 da manha e estacionar o carro o mais perto possivel do aeroporto. Antecipo uma aventura… Quem sabe mais material digno de blog. No fundo, e apesar da correria, sei que vai ser muito bom. Existe quem se queixe por ter de fazer 3 horas de caminho para ir a casa. Os alemaes a estagiar cá estao sempre a dizer que têm de fazer 3 horas para ir a casa. Eu até Março preciso de 7 horas para ir a casa e outras 7 para regressar e depois disso nao sei como será… Desta vez o Sebastian também vai pelo que sempre dá para fazer o caminho a parvejar. Estes diazinhos vão saber bem mas detesto check ins. Aprendi a odiá-los. Quando é para ir de férias tudo tem outro encanto.
Vai ser a segunda vez que o Sepp anda de avião e nunca viu o atlântico. Achei curioso o modo como falou do oceano como se tratasse de um objecto longínquo e quase inantingivel. Para mim o oceano está sempre presente, acho que é de ser Português. Nascemos e crescemos ao lado dele e transportamo-lo sempre conosco. Tomo-o naturalmente por garantido e faz parte de mim. Algo que nunca me tinha apercebido até vir para cá. Acho que ele estranhou o facto de eu não contar as vezes que ando de aviao e nao saber dar o número exacto, não me lembro precisamente quando é que deixei de contar mas um dia destes tenho de fazer a contabilidade só por curiosidade e pelo impacto de poder dar um número preciso e parecer petulante apenas por esse facto. Hoje tou em dia “Sim” e acordei com uma estúpida vontade de ouvir o Regeneration dos Divine Comedy. Tenho o iPod carregado e pronto. Só para que fique registado sao 7h40 da manha, tempo suficiente para acabar de escrever estas linhas, comer qualquer coisa e pôr-me a mexer…
…vazio renovado
Faço porque a diferença de perspectiva não superioriza a vontade própria, onde tudo corre e escapa, se recria e desvanece para criar novo vazio, na realidade presente em que apenas existimos e nos vaporizamos.
O fim que nunca mais chega… Fraqueza de muitos, luz de alguém.
…adeus tio
O tio Donald…
O Donald rUm$feld (ou Scumsfeld para os amigos) vai-se embora… Nao vou comentar particularmente… A história fará a devida Justiça. Deixo dois links com interessantes visões sobre a personagem.
The two faces of Rumsfeld
No tears for Donald Rumsfeld
Está praticamente tudo dito sobre este senhor. Deixo um videozinho para ajudar à dificil digestão desta petulante figura…
E pergunto eu… Quem é esta aberração para citar Winston Churchill… O mundo está doente…
pragmatismo…
Cheguei a Fulda às 22h30 após 3 horas de voo de regresso, 3 horas de Volkswagen Golf a 180 km/h em autobahns desde Cologne, uma bjeca Weizen na casa do Sepp e trajecto de regresso a Fulda. Correu tudo sobre rodas. Nada como fazer retrospectivas analíticas de 3 dias bem passados. Analíticas, de curta duração e de no máximo 3 dias que mais que isso é saudosismo. Mas voltando à questão central, foram excelentes dias em que tudo encaixou como se de um jogo de Tetris se tratasse. Segredo do sucesso: Checklists…
A aterragem em Cologne foi emocionante. Havia gente a rezar no avião. Adorei a aproximação. A dinâmica de voo completamente errática com o piloto a lutar com o vento e vice-versa e o avião a ser sacudido e a inclinar-se ora para a esquerda, ora para a direita enquanto se ouvia no ar o bichanar das rezas. Ia-me a interrogar que se o touchdown fosse com o avião naquele comportamento qual das asas bateria no chão primeiro. Tipo o jogo de crianças em que se canta “unanani poli poliana” e se espera pelo resultado… Mal se sentiram as rodas a tocar no chão toda a gente desatou a bater palmas de alivio e de grande satisfação por continuar tudo vivo e contente. O piloto sabia muito bem o que ia a fazer e a pista está bem localizada e protegida das condições que fizeram o avião dançar na aproximação.
Momentos antes do touchdown o Sepp chamou-me e olhei para trás… Um casal com mais idade que ia na fila atrás deu as mãos na tentativa de atenuar a angústia… Achei desajustado… estranhei o facto de achar desajustado. Costumava valorizar estas coisas. As más experiências mudam-nos… Mas dar as mãos ajuda… O avião começa a voar melhor. Pelo menos para duas pessoas…
